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09 Maio 2016 - 14:15:29

Entrevista para Siéllyson-Santa Rita-Pb


 



Siéllysson



Café com Siéllysson entrevista o
teatrólogo Jacinto Moreno



Entrevista 30http://2.bp.blogspot.com/-adwOrntN0dg/VNmTaEJNbJI/AAAAAAAAA48/bbQzEb_hE98/s1600/1959377_718785404839097_4578018077123483603_n.jpg



 



Ele nasceu em Tenente Ananias no Rio
Grande do Norte, mas adotou Santa Rita em seu coração, paixão esta que gerou
filmes em nosso município, montagens de grupos teatrais, ministrou cursos e
levou o nome da cidade para Portugal por meio do seu premiado filme “ Aparição”
e “Cova da Iria”. Jacinto Moreno é o entrevista de Café com Siéllysson.



Depois
de meses guardada, finalmente lanço a entrevista do teatrólogo e cineasta
Jacinto Moreno, peço desculpa aos leitores do blog e ao artista que esperou
pacientemente por mais uma de tantas entrevistas dadas a blogs, jornais,
televisão... Meu sincero pedido de desculpa e meu eterno agradecimento a este
homem que só engrandece nossa cidade.



SIÉLLYSSON - Quando despertou em você o
interesse pelo teatro?



JACINTO - Desde criança eu ia pra o
cinema, aí fui me despertando, àquela curiosidade de ver as pessoas fazendo
aquilo, então eu disso “um dia que quero fazer isso”. Foi lá em Souza onde tudo
começou, começou da curiosidade de querer ser e fazer aquilo que os atores em
cena faziam.



SIÉLLYSSON - Quantos anos você tinha na
época?



JACINTO - Tinha meus 12 anos. Daí eu
fui morar em Mossoró, no Rio Grande do Norte, mais ou menos em 1974 eu percebi
que tinha um grupo de teatro por lá e ia ver.  1976, Vim morar em Patos, onde passei um ano,
lá um primo meu fazia teatro, fiquei curioso e quando voltei pra Mossoró, vi
uma propaganda no SESC sobre “Plufts, o fantasminha” eu fui assistir o
espetáculo, daí me apaixonei e não parei mais, participei em seguida como ator
em vários espetáculos.



SIÉLLYSSON - Sua primeira participação
no teatro foi por meio de uma peça criada por você ou foi de algum diretor?



JACINTO - Como ator,  eu fui trabalhar com  Iremar Leite, 
compositor, que era diretor do SESC, lá em Mossoró; trabalhei algum
tempo com ele e por motivos de família eu tive que abandonar o teatro, meus
pais não queriam, por isso, fui expulso do grupo, porque deixei três
espetáculos inacabados. Fiquei na época muito chateado com meus pais, fiquei
revoltado. Certo dia quando eu estudava na Escola Técnica de Mossoró me
chamaram pra fazer uma peça, fiz um personagem do “O Pagador de Promessa” que
era uma adaptação do texto de Dias Gomes. A partir daí foi quando eu comecei a
montar meus espetáculos e pela primeira vez passei a desobedecer aos meus pais.
Eu já era maior de idade  quando  desobedeci aos meus pais, falei pra eles:
“Olhem, eu vou fazer teatro, vocês me desculpem, mas eu não vou desistir não”.
Foi aí que eu comecei a dirigir por necessidade em 1977 e um ano depois comecei
a escrever espetáculos.



SIÉLLYSSON - O que é ser diretor por necessidade?



JACINTO - Eu senti necessidade de ser
diretor porque eu não tinha um diretor pra dirigir os papéis que eu queria
fazer. Como eu já tinha um pouquinho de experiência como ator, convoquei o
pessoal e disse “Olha gente, eu vou dirigir este espetáculo.” E fiz a primeira
direção, a segunda, e até hoje estou dirigindo. Graças a Deus (risos) porque adoro dirigir.



SIÉLLYSSON - Você já fez vários curtas
e agora estreou seu primeiro longa. Quando o seu interesse passou do teatro pra
o cinema?



JACINTO - Em 1984 eu vim morar em
João Pessoa porque meu pai tinha adoecido, ele veio fazer uma cirurgia. No
finalzinho de 1984 a TV Globo esteve aqui em João Pessoa pra fazer a novela,
Vereda Tropical, eu tinha chegado há pouco tempo e,  Tarcísio Pereira, que até hoje é meu amigo, me
incentivou a fazer participação nas gravações, mas a TV só chamou quem tinha a
carteirinha de ator de teatro, eu não tinha na época. Eu entrei por baixo da
perna do cara lá e consegui entrar no ônibus e fui pra o Hotel Tambaú e lá me
entrosei com o pessoal e participei de uma cena na novela. No teatro Lima
Penante, no mesmo período eu estava com Fernando Mercês, começamos a montar o
espetáculo que se chamava “O Arquiteto e o imperador da Síria” começamos
ensaiar, mas sem diretor achamos melhor parar, daí eu tive conhecimento que
Tarcísio estava montando um espetáculo “A Cabeça da Santa” e fiquei trabalhando
com ele nesta peça e fiz outros espetáculos sob a direção de Tarcísio Pereira,
como “Um dia serei Suzana”. Também trabalhei com Eliezer Rollin.  Eu já tinha  escrito algumas peças quando  morava em Mossoró, aqui, em João Pessoa,
continuei escrevendo e montando os meus textos.  Montei 
“O Vaqueiro Nordestino” que era a história do meu avô, e não parei de
escrever e montar meus trabalhos.














http://4.bp.blogspot.com/-mOwJBjp2-ZY/VNmR_SQIW6I/AAAAAAAAA4g/sMd26LQnr2k/s1600/Um%2Bdia%2Bserei%2BSuzana%2BTarc%C3%ADsio%2BPereira.jpg




FOTO  de  Tarcísio Pereira de 1985,
disponível na internet.





 



SIÉLLYSSON - E o cinema? Quando você
resolveu dirigir curtas?



JACINTO - Fui convidado pra fazer um
filme “A Árvore de Marcação” (1999), veio uma equipe do Rio de Janeiro e foi
pra cidade de Marcação e por meio de Fernando Mercês,  foi feito o convite; eu trabalhei como ator e
trabalhei na produção executiva do filme. Em 2000, eu participei  de três filmes de Carlos Dawling, depois fui
convidado pra fazer O Meio do Mundo” de Marcos Vilar, fiz um filme de Torquato
Joel,  “Transubstancial”, fui então,
convidado pra fazer cinema na Paraíba. Daí fui pegando a técnica porque sempre
fui curioso, enquanto o diretor estava ali preparando o equipamento eu pedia
permissão pra eu me aprender, me aproximar mais deles porque eu já tinha
pretensão de fazer o que eles estavam fazendo. Aproximei da equipe técnica, do
diretor de fotografia e fui aprender como manusear e resolvi fazer os meus
próprios filmes.



SIÉLLYSSON - Qual foi o primeiro deles?



JACINTO - O meu primeiro filme foi um
documentário sobre o artista plástico Geraldo Correia aqui em Santa Rita.
Entrei na Prefeitura de Santa Rita em 1999, desde então me apaixonei pela
cidade, e sempre tive essa loucura de fazer alguma coisa em Santa Rita. O Documentário
é “Geraldo por Geraldo” (2007) onde ele conta tudo da vida dele e suas
exposições até mesmo no exterior, como ele gostava muito de Santa Rita terminou
voltando. Em seguida eu fiz “Táxi” (2008) que é uma ficção, história de uma
lenda urbana. Depois eu fiz “O Anjo e a Serpente”  gravado boa parte em Santa Rita, com atores
santa-ritenses, que conta a história de duas crianças que se apaixonaram e o
pai ao perceber e manda o filho para o seminário, gravamos na Capela de São
Sebastião, em Tibiri Fábrica, gravamos também em Itabaiana.














http://2.bp.blogspot.com/-w3ejv0qSWOY/VNmSmnXtWpI/AAAAAAAAA4o/HljeGk8GvpM/s1600/551694_242236269224871_847597617_n.jpg




Cartaz do filme "Táxi"





 



SIÉLLYSSON - Você trabalha muito com
atores de Santa Rita, formou equipe de teatro aqui tanto de teatro quanto um
grupo de atores para o filme “A Aparição”. Como surgiu essa paixão pela cidade?



JACINTO - Eu me apaixonei por Santa
Rita desde que eu comecei a trabalhar aqui. Eu estava na Secretaria de Cultura,
passei muito tempo trabalhando lá e hoje tô ainda, na época trabalhava com
montagem de peças teatrais, ao mesmo tempo fazendo meus filmes, eu me senti na
obrigação de trabalhar com meus alunos eram meus amigos também, a exemplo
de  Laura Domingos, Pupa Dias, Juliete
Figueiredo, Israel Nunes,  que
infelizmente ingeriu veneno de rato e faleceu, e,  nada mais justo do que trazê-los pra trabalhar
comigo no cinema, apesar de trazer atores profissionais de João Pessoa, a exemplo
de Fernando Mercês, Adriana Felizardo, eu trabalho com profissionais, amadores
e aqueles que querem contribuir com sua participação no cinema.



SIÉLLYSSON - E como surgiu a proposta
de você trabalhar com a Série Televisa “Geração Saúde 2”?



JACINTO - A “Geração Saúde 2” saiu na
internet  convocando pessoas para se inscreverem para um teste.
Eu fiz primeiro na internet e fui convocado pra fazer o teste pessoalmente do
papel do velho dono da barraca,  Seu
Romero,  que tinha a preocupação de tirar
os jovens das drogas, ele formava um time de futebol. Fui eu e Fernando
Teixeira e passamos no teste, depois fiz outro teste e a diretora me escolheu
pra o personagem. Fizemos a minissérie que são15 episódios, eu estou em 12.














http://4.bp.blogspot.com/-tR1Y67ZfSBU/VNmS0l_eKFI/AAAAAAAAA4w/yTFx8k7KDL0/s1600/1518032_698246903623803_1424156549481812459_n.jpg




Foto: com Fernando Teixeira de Jacinto disponível
na internet





SIÉLLYSSON - “A Cova da Iria” é o curta
do filme “ Aparição” que você fez recentemente, com este filme você participou
de festivais no Brasil e foi para Portugal, como foi que se deu este convite
para apresentar seu trabalho em Portugual no
 Farcume?



JACINTO - Eu tive uma sorte grande,  Deus sempre está ao meu lado, não sei se foi
pela temática também de um fato que se passou em Portugal. O filme “ Aparição”
eu fiz uma versão da história original que se passou em Portugal na cidade de
Fátima em 1917. Juntei atores de Santa Rita: 
Ivonaldo Rodrigues ( Padre  Jovem), Laura Domingos ( Lavadeira), Manoel
Felipe ( Josué), de João Pessoa: Rosandro Aranha ( Padre Velho),  suas 
filhas,  Raissa Aranha
(Lúcia),  Rannya  Aranha ( Jacinta) e meu filho, Pedro Rafael (
Francisco). Edilete Bezerra,( Jornalista) 
e é Diretora de Artes, filmei em Santa Rita em duas localidades,
incluindo Várzea Nova; filmei também em João Pessoa. Foi meu  primeiro longa metragem com 70 minutos, tive
ajuda do Dr. Rosandro que contribui muito pra realização do filme, Aproveito
aqui pra agradecê-lo, e a todos os amigos, atores que participaram.  Como já venho participando de Festivais por
todo Brasil, eles aceitam curtas de no máximo 18 minutos, e no mesmo momento em
que eu estava editando o longa “ Aparição” eu editei “Cova da Iria”, curta,  para participar dos festivais. Nós ganhamos,
graças a Deus, o Festival do SESC, aqui em João Pessoa, fomos participar do
Festival de Boa Vista-PB FARCUMI em nível internacional e fomos premiados para
exibir nosso filme em Portugal, (Festival que aconteceu em 27 a
29 de agosto de 2014
). Já estamos com outra classificação no
Festival Farinha, em  Patos- Pb, já em
nível internacional.



SIÉLLYSSON - Você leva o nome da cidade
de Santa Rita pra o Brasil todo, agora para Portugal, você recebeu em algum
momento apoio financeiro da Prefeitura pra isso?



JACINTO - Em 2003 eu montei o
espetáculo “Espanta Gato” aqui em Santa Rita, e graças a Deus o espetáculo foi
muito bem visto na USP, eles gostaram muito, o prefeito na época Severino
Maroja nos ajudou e passamos uma semana no festival. Já no dia 07 de setembro
desfilamos com uma facha descrevendo sobre a aceitação do Espetáculo em São
Paulo; lá divulgamos a cidade, por meio de material expositivo. Recebemos um
troféu e desfilamos com ele, mas que hoje não tem mais nada disso na
Prefeitura, perdemos tudo com a transformação do teatro no Banco (Governo de Marcus Odilon) infelizmente perdemos todo
nosso material cênico que tínhamos lá.



Eu fui pra Portugal para o festival
em Faro, passamos em Fátima, fui com o apoio do Prefeito Severino Alves Barbosa
Filho (Netinho). Conheci ele em Várzea Nova há tempos atrás, sempre nos apoiou.
Agora prefeito, nesse fase transitória, bastou o ofício chegar nas mãos dele
que ele disse: “Libere o dinheiro, quero que Jacinto viaje pra Portugal
representar nossa cidade lá”.



 



http://3.bp.blogspot.com/-80Sr0wcGoCI/VNmUM-EWDrI/AAAAAAAAA5I/KWkrbKQBdfQ/s1600/58826_303320863116411_1661329926_n.jpg



 



SIÉLLYSSON - Você falou comigo antes de
começarmos a entrevista que você não faz política você faz arte...



JACINTO - Sim, faço arte e tenho que
agradecer ao prefeito Netinho, que é político, que me ajudou a realizar este
trabalho, que se não fosse ele, nós não teríamos como ir.



SIÉLLYSSON - Completando a frase (risos)... esta é sua missão. (Ele rir) sim.



SIÉLLYSSON - Que mensagem você deixa
aqui para quem quer se enveredar por este caminho da arte, do teatro, do
cinema?



JACINTO - Olha, é uma batalha árdua
que eu venho enfrentando há muito tempo. Quem pretende começar que tenha força
de vontade, coragem e enfrente o que vier. Tenha fé em Deus, pois Deus é o
pilar que sustenta tudo.



 



Entrevista realizada em 2015.



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